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Inteligência Artificial em Aparelhos Auditivos: Como Funciona

Inteligência Artificial em Aparelhos Auditivos: Como Funciona

11/09/2026

A inteligência artificial em aparelhos auditivos já deixou de ser promessa de folheto e virou parte do funcionamento diário desses equipamentos. Neste artigo, o fonoaudiólogo Fabio Horsth Catão (CRFa 22368) — que também é engenheiro pela UNESP e mestre em Engenharia e Acústica pelo INP Grenoble, na França — explica de forma direta o que essa tecnologia realmente faz, com base técnica, e onde ela para.

A televisão está em volume 28, duas pessoas falam ao mesmo tempo na sala e alguém pergunta: “você quer mais café?”. A pessoa percebe que houve uma pergunta, mas perde as palavras no meio do barulho. É exatamente nesse tipo de cena que a inteligência artificial em aparelhos auditivos entra em ação, analisando o ambiente sonoro para favorecer a fala e reduzir o que atrapalha a compreensão.

O que muda com a inteligência artificial no aparelho

Aparelhos auditivos usam processamento digital há décadas. A diferença agora é a velocidade de decisão: o sistema analisa padrões de som várias vezes por segundo e reconhece, por exemplo, se há fala, ruído contínuo, música ou vento. A partir disso, ajusta como cada som chega ao ouvido, em vez de simplesmente amplificar tudo igual.

Uma cozinha com a torneira aberta pede um comportamento diferente de uma conversa dentro do carro. Em alguns modelos, os microfones priorizam a voz que está à frente da pessoa; em outros, o sistema trabalha para deixar os ruídos menos incômodos sem apagar por completo a percepção do ambiente ao redor. A meta não é criar silêncio artificial — é melhorar a relação entre fala e ruído de fundo.

Alguns modelos também registram dados de uso, como os ambientes mais frequentados e o tempo diário com o aparelho ligado. Essas informações apoiam ajustes mais precisos no retorno à clínica. Há ainda recursos de bem-estar, detecção de queda e controle por aplicativo, mas isso varia bastante conforme marca, linha e indicação para cada pessoa — vale conferir o que está disponível em nosso guia de aparelhos auditivos e acessórios.

“Inteligência artificial não significa que o aparelho adivinha o que a pessoa quer ouvir”, explica Fabio Horsth Catão, fonoaudiólogo CRFa 22368, engenheiro pela UNESP e mestre em Engenharia e Acústica pelo INP Grenoble, na França. “Ela é uma ferramenta para organizar melhor os sons, e precisa ser ajustada a partir da audição, da rotina e das queixas de cada pessoa.”

Um exemplo prático: Omega AI e Noble AI

Dois lançamentos recentes ajudam a ilustrar como essa tecnologia funciona na prática. O Omega AI, da Starkey, usa um processador chamado G3 Gen AI Neuro Processor para rodar o DNN 360 — um sistema baseado em rede neural profunda que analisa a cena sonora em 360 graus, em vez de simplesmente reforçar o que está à frente da pessoa, como fazem os microfones direcionais tradicionais. Na prática, isso permite separar a fala do ruído de fundo sem deixar o ambiente com uma sensação “achatada” ou artificial, preservando a noção de onde cada som vem. O Noble AI, da NuEar — marca do mesmo grupo Starkey — parte da mesma base tecnológica e chega a um público que busca esse tipo de adaptação automática num formato também discreto e resistente à água.

Como engenheiro, Fabio Catão observa que esse tipo de avanço representa uma mudança real de abordagem: “Sistemas como o DNN 360 não escolhem só ‘aumentar a frente e diminuir os lados’. Eles processam o cenário sonoro inteiro e tentam prever o que o cérebro da pessoa esperaria ouvir naquele momento. É uma engenharia bem mais sofisticada do que a direcionalidade tradicional — mas o resultado só é bom quando a programação é calibrada para a audição de cada paciente.”

Em quais situações isso costuma fazer diferença

A queixa mais comum de quem convive com perda auditiva raramente é “não ouço nada” — costuma ser “escuto, mas não entendo”. Numa conversa tranquila a voz chega clara. O problema aparece com pratos batendo, criança brincando, ventilador ligado ou três vozes disputando espaço na mesma mesa.

Um aparelho com inteligência artificial pode favorecer sons da fala e controlar o ruído de fundo de forma mais dinâmica nesses cenários, o que tende a deixar o almoço de domingo com a família reunida menos cansativo — sobretudo quando ele se estende por duas ou três horas. O recurso também ajuda em sons repentinos, como uma cadeira arrastando no piso ou uma panela caindo na pia.

Vale um limite saudável aqui: nenhum aparelho deve eliminar todos os ruídos. Muitos deles carregam informação de segurança — uma buzina, a campainha, o aviso do micro-ondas, alguém chamando de outro cômodo. A pessoa precisa continuar percebendo esse tipo de som.

Para quem trabalha em escritório, atende cliente ou entra em reunião pelo celular, a conectividade costuma pesar bastante na escolha. Dependendo do modelo, chamadas e áudios vão direto para os aparelhos, o que não torna toda ligação perfeita — principalmente com conexão ruim ou muito ruído na rua — mas reduz a necessidade de encostar o celular no ouvido e favorece a autonomia no dia a dia.

O ganho depende do ambiente, não só da ficha técnica

Numa sala silenciosa, a diferença entre tecnologias pode ser discreta. Já numa padaria cheia às 8h, com máquina de café, pedido sendo chamado e louça circulando, a gestão de ruído passa a valer muito mais. Por isso a decisão não deve se apoiar só numa função de anúncio.

O tipo e o grau da perda auditiva, a destreza para manusear o equipamento, a rotina social e as expectativas da pessoa entram nessa conta. Quem passa o dia em casa pode priorizar simplicidade. Quem dirige, participa de reuniões e recebe os netos no fim de semana pode se beneficiar de outros recursos. A escolha certa é a que sustenta o uso diário — não a que junta mais funções na tela do aplicativo.

Antes da tecnologia, vem a avaliação

Ouvir pior de um lado, pedir repetição com frequência, cansar depois de uma conversa longa ou ir aumentando a TV são sinais que merecem investigação. O caminho começa com uma avaliação auditiva, com exames como audiometria tonal e vocal e, quando indicado, imitanciometria.

Esses exames mostram quais sons estão mais difíceis de perceber e como está a compreensão de palavras — e duas pessoas da mesma idade podem ter perfis bem diferentes. Uma escuta sons graves mas perde nitidez em consoantes como F, S e T; outra se incomoda com sons fortes e precisa de uma programação mais gradual. É esse retrato que orienta qual tecnologia de fato faz sentido, e não o contrário.

“O aparelho precisa ser escolhido pela realidade de quem vai usá-lo”, reforça Fabio Catão. “Uma pessoa que participa de reuniões, outra que cuida dos netos e outra que vive numa casa silenciosa têm necessidades diferentes, mesmo quando o exame parece semelhante.” Com mais de 20 anos de atuação clínica, pesquisa e gestão em audição, ele lembra que a adaptação segura depende dessa leitura individual — a inteligência artificial entra depois, como ferramenta, não como ponto de partida.

O acompanhamento não termina na entrega do aparelho

O cérebro leva um tempo para voltar a prestar atenção em sons que ficaram em segundo plano por meses ou anos. Nas primeiras semanas, mesmo com toda a inteligência do processamento, alguns sons podem parecer mais presentes — a geladeira, o papel amassado, o próprio passo. Isso pede ajuste de ganho, compressão e redução de ruído conforme o relato da pessoa, não abandono do equipamento.

Na Auditif, esse acompanhamento inclui assistência técnica, garantia de até três anos e suporte de até cinco anos, conforme a solução escolhida. Para quem vive em Mogi das Cruzes, Suzano ou Guarulhos, o atendimento acontece na clínica e, quando indicado, também online ou em casa.

Quando bem indicada e ajustada, a tecnologia pode devolver conforto às conversas, apoiar a autonomia e reduzir aquele isolamento que costuma se instalar aos poucos — trazendo mais presença e paz em casa.

Perguntas frequentes

Inteligência artificial substitui a avaliação com o fonoaudiólogo?
Não. Ela ajusta como o som é processado, mas a indicação do modelo e a programação inicial dependem da avaliação auditiva e da rotina da pessoa.

Todo aparelho auditivo tem inteligência artificial?
Não — o recurso varia conforme marca e linha do produto. Modelos mais avançados costumam ter reconhecimento de ambiente mais sofisticado; a indicação certa depende do caso.

A tecnologia elimina todos os ruídos incômodos?
Não deve eliminar tudo. Sons como buzina, campainha e alerta de eletrodoméstico continuam importantes por segurança, e um bom ajuste preserva essa percepção.

Quer saber qual tecnologia realmente combina com a sua rotina? Preencha o formulário abaixo e agende uma avaliação em Mogi das Cruzes, Suzano ou Guarulhos.


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Escrito por: Fabio Horsth Catão — Fonoaudiólogo (CRFa 22368), engenheiro pela UNESP, mestre em Engenharia e Acústica pelo INP Grenoble (França), diretor e sócio da Auditif, com mais de 20 anos de experiência em gestão, pesquisa e atuação clínica em audição.

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